Neste capítulo, você vai aprender a atuar em cenários com dependências: quando o seu serviço depende de outro para concluir uma demanda e o cliente espera pela soma dos dois. É um dos seis aprendizados prometidos pelo curso KSI e o problema que mais rouba previsibilidade em organizações com vários times.
Dependência é toda situação em que um item de trabalho precisa de algo de outro serviço para avançar: uma aprovação, uma entrega parcial, uma informação, um ambiente. O Kanban trata dependências em três movimentos: tornar visíveis, com cartões e políticas que mostram a espera; reduzir, mudando a estrutura do serviço ou o desenho do trabalho; e gerenciar o que resta, com cadências entre serviços, classes de serviço e acordos de nível de serviço internos.
Visualizar a dependência
A dependência invisível é a que mais custa. Um item que espera uma aprovação de outra área e fica na coluna “em andamento” como se estivesse sendo trabalhado engana todas as métricas. O primeiro passo é marcar: um ímã de bloqueio, uma coluna de espera externa, um cartão filho no quadro do serviço fornecedor. Quando a espera aparece, o CFD apresentado no Capítulo 08 do blog do KSD mostra a faixa engordando, e a conversa muda de “estamos lentos” para “estamos esperando este serviço”.
- Tornar visível
Bloqueios marcados, colunas de espera externa, cartões espelhados no serviço fornecedor, tempo de espera registrado. - Reduzir
Reorganizar em torno do fluxo de valor, trazer a competência para dentro do serviço, mudar a política que exige a passagem de mão. - Gerenciar
Operations Review entre serviços, classes de serviço para demandas de outros serviços, acordos de lead time entre fornecedores internos.
Reduzir antes de gerenciar
Imagine uma rodoviária em que toda viagem exige baldeação em uma estação central. Dá para melhorar a sinalização da baldeação ou dá para criar linhas diretas. O Kanban prefere a segunda opção quando possível: dependências que existem por desenho organizacional, e não por natureza do trabalho, são candidatas a eliminação. Uma aprovação que sempre é concedida vira política explícita e some da fila. Uma competência que todo item precisa migra para dentro do serviço.
Gerenciar o que resta
Nem toda dependência some. Regulação, segurança, infraestrutura compartilhada e especialistas raros continuam. Para essas, o KSI trabalha com três instrumentos: a Operations Review, em que os serviços olham juntos o fluxo entre eles; classes de serviço no serviço fornecedor para as demandas que vêm de outros serviços, com expectativas de lead time explícitas; e a análise de bloqueios recorrentes na Risk Review, que transforma dependências crônicas em pauta de mudança estrutural.

Dependências e previsibilidade
O lead time de um item com dependência é a soma do lead time dos dois serviços mais a espera entre eles, e a variabilidade se multiplica. Por isso, serviços com muitas dependências não conseguem prometer prazos até que elas sejam tratadas. Mapear a rede de dependências, como no Capítulo 03, e atacar as mais frequentes é o caminho mais curto para previsibilidade em escala. O próximo capítulo trata do ritmo que mantém essa rede alinhada: as cadências ajustadas ao nível de maturidade.
Referências
Obras relacionadas aos conceitos apresentados neste capítulo:
- Anderson, D. J.; Bozheva, T. Kanban Maturity Model. Lean Kanban University Press, 2018.
- Leopold, K. Rethinking Agile. LEANability, 2018.
- Improvee. Kanban System Design na Prática, capítulo 08: Métricas de saúde do fluxo.
“Atue em cenários com dependências” é um dos aprendizados centrais do curso Kanban Systems Improvement da Improvee.

