Neste capítulo, você vai conhecer as técnicas de melhoria que o KSI ensina para transformar sintomas em hipóteses e hipóteses em experimentos: análise de bloqueios, análise de variabilidade, custo do atraso e teoria das restrições. São os modelos que tornam a melhoria evolutiva mais do que boa vontade.
Melhorar um sistema Kanban exige saber onde intervir. As técnicas do KSI fornecem o diagnóstico: a análise de bloqueios agrupa impedimentos por causa e mede seu impacto em dias de atraso; a análise de variabilidade distingue variação interna, controlável, de variação externa, a ser absorvida; o custo do atraso quantifica a urgência para orientar classes de serviço; e a teoria das restrições localiza o gargalo que limita a vazão do sistema inteiro.
Análise de bloqueios
Cada vez que um item é bloqueado, o cartão recebe um marcador com a causa e a data. Ao fim de um período, os marcadores são agrupados por causa e somados em dias de atraso. O resultado costuma surpreender: duas ou três causas respondem pela maior parte do impacto, e raramente são as que a equipe apontaria de memória. A técnica, chamada de agrupamento de bloqueios, transforma a Risk Review em uma conversa sobre dados.
- Agrupamento de bloqueios
Causa, frequência e dias de atraso por causa. Prioriza o que mais custa, não o que mais incomoda. - Análise de variabilidade
Separa o que a equipe controla (tamanho de item, política, multitarefa) do que vem de fora (demanda, dependências). - Custo do atraso
Quanto se perde por unidade de tempo sem o item. Base das classes de serviço e da ordenação do Upstream. - Teoria das restrições
Identificar o gargalo, explorá-lo ao máximo, subordinar o resto a ele, elevá-lo e recomeçar.
Variabilidade: interna e externa
Lead time varia por dois motivos. A variabilidade interna vem de decisões da equipe: itens de tamanhos muito diferentes, políticas frouxas, retrabalho, WIP alto. A externa vem do ambiente: picos de demanda, dependências, urgências legítimas. A primeira se reduz com disciplina e políticas; a segunda se absorve com capacidade de reserva, classes de serviço e buffers. Confundir as duas leva a tentar controlar o incontrolável e a tolerar o evitável.

Da técnica ao experimento
Imagine um mecânico. Ele não troca peças ao acaso; ouve o motor, mede, localiza e só então intervém. As técnicas do KSI são a escuta e a medição. O experimento vem depois, pequeno e reversível, como descrito no Capítulo 09 do blog do KSD: uma hipótese ligada a um modelo, uma mudança de limite ou de política, algumas semanas de medição, decisão. O que o KSI acrescenta é o repertório de diagnóstico para que a hipótese seja boa.
- Bloqueio recorrente por aprovação: hipótese de política explícita que elimina a aprovação nos casos padrão.
- Variabilidade interna por tamanho de item: hipótese de política de tamanho máximo e decomposição no Upstream.
- Gargalo em uma competência rara: hipótese de limite de WIP antes do gargalo e de reserva de capacidade para a competência.
Com o diagnóstico em mãos, o próximo capítulo trata do movimento que mais depende dele: escalar Kanban de um serviço para a organização.
Referências
Obras relacionadas aos conceitos apresentados neste capítulo:
- Anderson, D. J. Kanban. Blue Hole Press, 2010.
- Goldratt, E. M.; Cox, J. The Goal. North River Press, 1984.
- Reinertsen, D. The Principles of Product Development Flow. Celeritas, 2009.
As técnicas de melhoria são o quarto tópico do curso Kanban Systems Improvement, com exercícios sobre casos reais.

