Neste capítulo, você vai conhecer o Kanban Maturity Model (KMM), o mapa que a Kanban University usa para diagnosticar em que ponto um sistema ou uma organização está e quais práticas fazem sentido introduzir a seguir. É o que impede que se tente aplicar práticas avançadas em um sistema que ainda não sustenta as básicas.
O Kanban Maturity Model descreve sete níveis de maturidade organizacional, de 0 (inconsciente) a 6 (congruente), e associa a cada nível um conjunto de práticas Kanban e de resultados de negócio esperados. A ideia central é a adequação: práticas introduzidas antes do nível certo são rejeitadas pela organização, e práticas introduzidas tarde demais desperdiçam potencial. O modelo orienta a evolução, não a classifica para fins de ranking.
Os sete níveis
- Nível 0, inconsciente: não há percepção de processo; o trabalho acontece.
- Nível 1, emergente: times visualizam o trabalho e começam a ter rotina, mas o foco é individual.
- Nível 2, definido: o time tem um sistema Kanban básico, políticas e cadências; o foco é a equipe.
- Nível 3, gerenciado: o serviço é previsível, com limites de WIP eficazes, métricas e classes de serviço; o foco é o cliente.
- Nível 4, quantitativamente gerenciado: decisões baseadas em dados, gestão de risco e dependências entre serviços.
- Nível 5, otimizando: a organização ajusta serviços ao propósito e otimiza o conjunto, não só as partes.
- Nível 6, congruente: estratégia, cultura e sistemas de trabalho alinhados; a organização se reinventa sem crise.
O salto do 2 para o 3 é o mais importante e o mais difícil: é quando o sistema deixa de ser um quadro de time e passa a ser um serviço previsível para o cliente.
- Práticas por nível
Cada prática geral do Kanban se desdobra em práticas específicas, graduadas por nível. Visualizar, no nível 1, é um quadro simples; no nível 3, inclui classes de serviço e bloqueios; no nível 4, dependências e risco. - Resultados por nível
Alívio de sobrecarga no 1 e 2, previsibilidade e satisfação do cliente no 3, gestão econômica no 4, adequação ao propósito no 5, resiliência no 6.

Como usar o KMM sem virar burocracia
Imagine um médico que prescreve o mesmo tratamento para todos os pacientes. O KMM existe para evitar isso no Kanban: antes de introduzir uma prática, perguntar se a organização está pronta para ela. Na prática, o diagnóstico é uma conversa estruturada com quem opera o sistema, olhando o quadro, as políticas, as cadências e os dados. O resultado não é uma nota, e sim uma lista do que faz sentido experimentar a seguir.
- Não pule níveis. Tentar métricas de risco e gestão de dependências em um time que ainda não respeita limites de WIP gera rejeição.
- Não misture níveis entre serviços sem perceber. Uma rede de serviços pode ter um no nível 3 e outro no 1; as cadências entre eles precisam respeitar o mais imaturo.
- Use o modelo para conversar, não para auditar. O valor está em alinhar expectativas sobre o próximo passo.
No curso KSI, o KMM é explorado com casos práticos de evolução. Com o mapa em mãos, o próximo capítulo amplia a lente do serviço para a organização: o Kanban como rede de serviços.
Referências
Obras relacionadas aos conceitos apresentados neste capítulo:
- Anderson, D. J.; Bozheva, T. Kanban Maturity Model. Lean Kanban University Press, 2018.
- Kanban University. Kanban Maturity Model. kanbanmaturitymodel.com.
- Anderson, D. J.; Carmichael, A. Essential Kanban Condensed. Lean Kanban University Press, 2016.
O Kanban Maturity Model é trabalhado com cases práticos no curso Kanban Systems Improvement da Improvee.

